terça-feira, 24 de junho de 2008

Candidatos corruptos, mas nem tão corruptos assim!

Lendo um artigo do Presidente do Instituto dos Advogados de Minas Gerais - José Anchieta da Silva - Corrupção e eleição (EM 21/06/08) - sobre a votação da matéria no STF que poderia impedir a candidatura de políticos com "ficha quase suja" (mas que não impediu pois, quatro ministros (a três) votaram contra a proibição), entendi porque o Supremo não poderia fazer tal proibição.
"A precipitação em relação à matéria pode conduzir à apenação (condenação) de inocentes"
De fato, os leigos, obviamente, em sua subjetividade, condenam os que votam contra à alguma coisa, que em tese, parecia ser a vontade da maioria. Eu fiquei imaginando qual seria o motivo pelo qual esses quatro ministros do STF votaram contra uma matéria que poderia representar um marco nas mudanças do cenário podre político brasileiro. José Anchieta da Silva diz que não compete ao judiciário cassar o direito de nenhum candidato, pois ele (o judiciário) estaria também punindo o eleitor no seu direito de escolher. Tá certo, mas eleitor que vota em Maluf, em Clodovil, em João Magalhaes não sabe votar. Ele diz também que quando a setença vier, se o coitado for inocentado, "ter-se-á praticado um mal irreparável, porque o pleito eleitoral já terá ocorrido". Que pena para ele. Então tá! Não vamos negar os processos e nem negar o princípio da ampla defesa, mas é sabido que, nenhum político (na minha subjetividade) é condenado a nada por aqui. Pode até ser que a justiça consiga trazer de volta os 120 milhões de dólares que o Maluf levou pra fora, depois de tanta benfeitoria em SP. Mas, o pobre e injustiçado Maluf, nem ficou tanto tempo preso assim, nunca provou o contrário, e ainda vai ser candidato a prefeito da mesma cidade. Que dizer, ele poderá continuar praticando os mesmos "possíveis delitos", porque o STF deixou, afinal tá provada que o povo não importa que políticos "suspeitos" de corrupção tenham o nome sujo. No dia 12 de junho, último, Eduardo Azeredo também teve seu processo arquivado. Ai gente. É claro, né! Ou alguém achou que ele seria preso e condenado a devolver o dinheiro no caso do mensalão mineiro? Ai tem dó. O STF não deixa não. O João Magalhães, que virou político na minha opinião, para enriquecer, também não vai devolver a grana do PAC, (que lóooooogico, também seria desviada), e nem vai ser preso; provavalmente, renunciárá, para não perder os direitos políticos, e voltar em 2011. E para finalizar, Anchieta afirma que "é preciso que o multirão social se dê em torno da conscientização da importância do voto, cujo valor é maior do que a sentença judicial...a justiça não molda o caráter das pessoas". Tá bom, eu sei que o voto compreende também um julgamento, sei também que isso se faz por meio de edução e reeducação, nas palavras de Anchieta, mas não é o caso do Brasil. Se assim fosse, mesmo com tantos investimentos na área, as pessoas saberiam diferenciar um bom ou um mal político, ainda que só por meio da imprensa.
Notícias do dia sobre o assunto: http://www.amb.com.br/portal/index.asp?secao=mostranoticia&mat_id=14116 http://www.amb.com.br/portal/index.asp?secao=mostranoticia&mat_id=14110

Um comentário:

Breno disse...

Gente, que blog primoroso! Como a dona mesmo. Só não concordo com "Jornalista de Araque"... Um explosão de mulher bomba como vc, Rê, é muito mais que muito. Beijo e saudade. Vou adicionar seu blog aos meus favoritos.